quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Apostas


Em silêncio, meu peito transborda.
Pequeno para o espaço que ocupa a tristeza.
Repleto em toda sua natureza
De flores secas que não irão desabrochar.

A cada batida, uma tempestade.
Torrente nos olhos, sangue da alma.
A dor e o silêncio acalmam
Perguntas que o tempo me mostra.
Procurando respostas,
A todo momento rolam os dados.
Os minutos estão marcados.
Estão feitas as apostas.

Queria escrever algo, mas nada que vaga em meu peito tem coerência para ser posto em palavras.
Como pássaros assustados meus pensamentos, ao menor ruído, abrem suas asas e alçam voo.
Como estrelas, inalcançáveis, reluzem por atenção. Para logo em seguida serem encobertos por nuvens.
Abstratos, dançam entre fios de cabelos, páginas de livros e teclas de computador.
Perdem-se em sonhos ou em realidades. Encontram-se em lágrimas e sorrisos.
Flutuam nos ideais da liberdade. Iludem-se a caminho do paraíso.

É o fim.. ou o princípio.

Quem a via, ali, quieta não poderia imaginar o turbilhão que se fazia seus pensamentos. Aquela manhã havia começado como todas as outras. Banho, café, faculdade. O dia foi passando, mas os pensamentos não a deixavam em paz. Ela precisava tomar uma decisão. Ele estava ao lado dela fazia um ano. Trouxe alegrias, mas junto também vieram muitas tristezas. Falta do apoio da família, fofocas na escola, durante o final do ensino médio. Obstáculos que foram vencidos pelos dois. Porém o maior deles vivia dentro dela. Uma marca na alma, um trauma de origem desconhecida. E isso não a deixava estar verdadeiramente com ele. Ela tentou, contudo o que vivia dentro dela foi mais forte. Ela não consegue estar bem com um homem. Não só ele mais qualquer indivíduo do sexo masculino. Ele queria mais. Ela não poderia corresponder às expectativas dele. Ele já estava cansado de tentar convencê-la e no final havia resolvido respeitá-la para não perde-la. Porém para ela já havia sido demais. O desgaste emocional foi intenso os medos e os traumas foram reforçados Ela se magoava e o deixava magoado também. Então uma decisão foi tomada. Ela desistiu. Uma companhia de um ano foi perdida. O deixou, mas permaneceu com seus traumas a atormentando. Naquela noite não chorou. Dormiu como pedra e acordou na manha seguinte para ir à faculdade. Lá ninguém nada percebeu. Aos próprios olhos ela parecia insensível, mas sabia que a qualquer momento as lágrimas iriam jorrar. Ela sabe que precisará ser forte para vencer tudo isso sozinha, mas tem que tentar. Não poderá nunca sacrificar a própria felicidade por outro alguém. Porém sua felicidade parece estar tirando férias em um lugar qualquer num planeta bem distante. Ela vai ter que amadurecer muito, lutar muito e está disposta a conseguir tudo isso, sozinha. Ao final de tudo, a ela deixará de ser uma menina e se tornará uma grande mulher.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

13/11/12



Talvez eu finalmente tenha surtado.
Talvez finalmente meus traumas se tornaram maiores que eu.
Tenho reações estranhas, comportamentos inconstantes..
Tenho desejos reprimidos e vergonhas ocultas.
Sozinha na escuridão da noite eu encontro meu lar.
Viajo em pensamentos e tento nesse mundo me encaixar..
Absorta na escuridão, não se sabe se é noite lá fora ou no meu coração.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma carga elétrica passeava por todo meu corpo. Centelhas de emoções tentando escapar. Cada célula do meu corpo implorava por uma dose daquele veneno. Peguei meu celular pensando em te ligar, eu desejava te ver. Olhei para as teclas iluminadas. O coração gritava para continuar, porém, toda a energia do meu ser não foi o bastante. Coloquei o celular na estante e dormi pensando em você.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Poema sem nexo

O teto, concreto;
A cama, não ama;
O monstro, interno;
O lapso, remorso.

O sexo, segredo;
O desejo, oculto;
O medo, intenso;
O tempo, distante.

Tua voz, embebesse;
Os lábios, adoçam;
Os olhos, se fecham;
Dos sonhos, acorda!
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá, onde a 
criança diz:eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não Funciona 
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira. 
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz De fazer
 nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.


-Manoel de Barros