terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Simplicidade
Ver o mundo com outros olhos. São os olhos dela. Aquela pele, perfeita em tom e textura. Seus dedos entrelaçados com os meus. Aquela boca. Lábios macios. Suas palavras. Sussurros. Em meio ao caos ela reduz o tom da voz. E me acalma. E ela é tudo que eu quero sentir. Tudo que eu quero viver. Silencio. O mundo não precisa saber da pureza desse sentimento.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Helenas
A jaula tem duas portas. As portas são grades. O monstro está lá dentro. Quero mostrar a todos quem ele realmente é. A sociedade inteira festeja. É dia de comemoração, só não sei o que eles comemoram. A reunião de todas as pessoas na praça central é a oportunidade perfeita. Tudo parece tão antigo. A arquitetura. A textura das pedras, dos objetos. A vestimenta das pessoas. É tudo rudimentar. Os festejos começam. As mulheres começam a dançar, estou entre elas. A dança é sensual, os corpos se movimentam num ritmo hipnotizante. Minha menina também está ali, dançando do meu lado. Está linda. Balança aquele véu cor de esmeralda, me parece a joia mais precisa de toda a face da terra. As pessoas observam a dança típica àquela época. O clima está intenso. Eu a beijo. O monstro está solto. Não é um lobo. Não é o que todos abominam, mas as pessoas não deixam de criticá-lo como se fosse a mais atroz criatura. É tudo tão ultrapassado. Mas essa sociedade não está entre àquelas descritas na história. É atual: Século XXI. Estão disfarçados os carrascos. Mas as pessoas continuam sendo mandadas para a forca e guilhotina. São taxadas de bruxos, errados, pecadores por acreditar. Por amar. De repente não existe mais ninguém. Somente eu e ela. É isso que importa. Ela está nua. Meu corpo junto ao corpo dela. O beijo continua, nem um milésimo de segundo se passou. A sensualidade da dança se traduz no arder do nosso amor. Eu a toco. A observo. Não são ultrajes. Não é um monstro. É amor.
sábado, 18 de janeiro de 2014
Levo
Singulares
Sonhos, segredos, sorrisos
Da alma que corre ao bater da vida.
O trivial, simplório contrastando com a chama que brilha.
A luz que emana de dentro de ti.
Três ângulos.
Triângulos são meros instrumentos.
Rótulos de uma sociedade marginalizada.
Meu amor é fora da lei.
Plural.
Eu amas.
Tu amo.
Do amor não ousamos discordar.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Uma e treze
É insano. Perfumes que não existem me fazem lembrar de você. Tua imagem está aqui a cada fechar de olhos meus. Lúcida. Estou lúcida, mas deliro desejando a insanidade. Desejando ir a teu encontro num momento de torpor ou de razão. Teu templo. Do teu templo sou devota. Não, nada disso tem a ver com religião. E amor, é alma, é desejo, delírio. Carinho, amizade. É saudade, solidão. Tua voz parece tão distante. A saudade toma conta do instante. Tua Ausência ecoa dentro de mim. TUM - TÁ, TUM- TÁ, TUM...
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Julietas
Esta é a tragédia da vida real. Digo isso e me deito de costas na cama. O ângulo está meio torto. Meus cabelos, outrora longos a ponto de encostar no chão, agora ficam pendurados como raízes altas de uma planta qualquer. A gata vem com suas patinhas minúsculas e tenta agarrar alguns fios. Mordê-los. Gatinhos adoram me fazer cafuné. Minha mãe está deitada na cama ao lado. Quando se tem dezenove anos e ainda é dependente dos pais, a vida torana-se uma prisão. O que dirá-se dos quinze, dezesseis. Aonde estais tu, meu amor? Me faço a pegunta cuja a resposta já sei. Pena não ter o poder mudá-la.
Sinto minha inquietação aumentar a cada segundo. Leio um livro e outro, querendo jogá-los longe. Penso em mil coisas, tento encontrar algo que me ocupe, mas minha mente sempre volta ao ponto inicial: ela. Procuro na voz de Cazuza algum consolo; admiro o flautista bêbado; sorrio com o olhar doce do meu gato. Volto para o meu quarto e jogo cadernos antigos no chão. Inquieta, sufocando. Só me resta sentar na cama e sentir um frio-quase-quente enquanto penso em coisas que eu não sei.
Fito pela janela as cores refletidas no muro. Os tons de uma tarde quente que precede os últimos dias do ano. Lembro da cor dos teus olhos. Um cartaz de um filme no cinema dizia: Azul é a cor mais quente. Isso não se aplica a mim. Quente é a cor dos teus olhos quando você brinca me fazendo ter ciúmes. É o frio da tua pele; do teu nervosismo que tornam-se brasas combustível de desejos. Fria é a tua ausência. O abraço gélido da saudade que você deixou aqui.
Através dos óculos vejo as nuvens distantes. Caminho pela casa abraçando meus próprios braços, querendo estar sozinha porque não posso estar ao lado dela. Vejo a mesma rua de tantos anos, vejo nossos passos marcados no chão. Vejo o que mais ninguém verá. Fim de ano e não quero a falsidade de ninguém. Ando por aí com o velho orgulho de antes, calada, alheia. Querendo apenas uma pessoa aqui, tecendo planos mirabolantes, tentando adivinhar um futuro distante. Me deixo desabar. Lembro da presença dela e tenho vontade de ficar por lá, sentada, olhando a outra cadeira vazia. Sinto que nunca estive tão intensa nos últimos anos.
Pendurado no meu pulso, um pedacinho dela. Um pulseira feita por suas próprias mãos. Nos lábios, a falta dos lábios dela. A gata puxa meus cabelos com força me tirando dos meus devaneios. Levanto da cama e vou até a cozinha; coloco um pouco de leite num prato e ponho no chão. A gatinha corre para beber. Boa menina, penso. Ando pela cozinha, abro a geladeira a procura de algo que não quero comer. Examino os armários. Vou até o quintal e vejo o vento soprar balançando as roupas penduradas no varal. Nada disso me importa. Trivialidades do dia a dia. Abro a torneira e molho meu rosto; depois o pescoço e tenho vontade de tomar um banho. Meu corpo arde e tenho certeza que não é culpa do calor.
No celular, duas fotos dela. O desenho que fiz dela; o perfume dela que insisto em sentir e confundir com o meu. Insisto em escrever, linhas tortas, rimas inexistentes, desejos insistentes. A saudade deixando a respiração pesada, um arrepio correndo pelo corpo. Fecho os olhos e não sei mais no que pensar. Apago a luz. Respiro fundo e fico observando minhas mãos iluminadas só pela tela do notebook. Escuto o silêncio, como se isso fosse possível. O sono não vem, a inquietação não cessa. Tiro a roupa e troco-a por outra, simplesmente não sei o que fazer. Escrevo algumas linhas, coisas desconexas. Olho as estrelas e lembro dos beijos. Dos momentos que ficamos juntas; significou tanto, mas foram tão poucas as horas. As horas passam e eu não sei o que fazer, pensar ou sentir. Arrumo minha bagunça e vou dormir. Tentar dormir, pra falar a verdade.
Bebo um copo de suco enquanto espero o notebook iniciar. Agora é noite e depois do banho tomado decido tentar escrever. O computador finalmente liga, o quarto está iluminado apenas pela sua luz. Sigo os passos que me levam a um novo documento do word. "Esta é a tragédia da vida real", escrevo enquanto minha mente se perde passeando pelas vertentes do amor.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Elos
Um simples sorriso ou horas inteiras a navegar.
Mil beijos ou tua mão unida a minha mão.
Histórias do passado.
Momentos no presente.
O futuro?
Deus e o tempo.
Sensibilidades, palavras e emoções.
Identidades.
Coincidências.
Tuas palavras que me encantam.
Tua alma.
Vidas, liberdade.
Palavras que não rimam.
Elas e elos.
Talvez elos inexistam.
Ou existam:
Amor.
Mil beijos ou tua mão unida a minha mão.
Histórias do passado.
Momentos no presente.
O futuro?
Deus e o tempo.
Sensibilidades, palavras e emoções.
Identidades.
Coincidências.
Tuas palavras que me encantam.
Tua alma.
Vidas, liberdade.
Palavras que não rimam.
Elas e elos.
Talvez elos inexistam.
Ou existam:
Amor.
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