Eu vejo o mundo em outro tom, mas eles não entendem isso. Me dizem que estou doente, me entopem de remédios. Isso tudo, só porque vejo a vida de forma diferente.
Eu não vejo alegria em cada nascer do sol. A cada dia, crianças morrem de fome, meninas são estupradas. Pessoas são assassinadas. O mundo gira na velocidade do pânico. Como ficar contente com isso?
Eu não vejo alegria na criança que nasce. Ela nasce chorando, seu choro já nos mostra o quanto viver dói. Ela sai da proteção do útero materno para sofrer nas garras do mundo.
Eu escuto o que os outros dizem. Eles tentam me enganar. Querem que eu veja a luz no escuro, mas a vela há muito se apagou. Também escuto o que não dizem, escuto a tristeza de cada olhar. As marcas do corpo da esposa de apanha do marido todos os dias. O efeito das palavras usadas indiscriminadamente. Os adolescentes que não tem confiança porque, quando crianças, foram maltratados, hostilizados. Alguns pensam "crianças não tem sentimentos". Eles não sabem o que dizem.
Eu coloco minha máscara, simulo um sorriso. A sociedade só quer isso. Ela não quer saber se estou bem, o importante é sorrir. Então eu me engano para não ter que me explicar. Finjo ter esperança. Luto com todas as forças que tenho, mas o mundo, Ah, o mundo nunca ira mudar. Cada coisa tem seu lugar, o mundo é um campo de obstáculos e temos que ultrapassar mesmo sem querer. Quem desiste da corrida é fraco. Mas, as vezes, a insistência é tolice.
Eu finjo pintar o mundo de uma cor que eu nunca vi. Eu vejo, a cada segundo, minha vida por um tris.
Eu caminho sozinha, sentindo, sofrendo, chorando. Eles vivem a vida deles sempre se enganando.

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