“Oi amor,
O dia amanheceu chuvoso, o frio me fez
desejar ter você para me aquecer. Nunca imaginei que poderia sentir tanto a
presença de alguém ausente, mas você está em todos os lugares. Seu cheiro está no travesseiro, sua escova
ainda está junto a minha no banheiro. Ainda preparo seu café todos os dias, mesmo
sabendo que você não virá tomar. Faz oitos meses, mas ainda não acredito no que
aconteceu.
Nosso bebê chuta muito, é uma menina. O
nascimento está previsto ainda para essa semana. Anseio vê-la para poder
procurar nela cada pedacinho seu. Pena que você se foi antes mesmo de saber que
ela estava a caminho. Ela vai se chamar Júlia.
Você sempre me disse que, se tivesse uma filha, seria esse o nome dela.
Todos os dias a lembrança volta a
minha mente, eu tinha acabado de receber o resultado do teste de gravidez.
Estava louca para te contar. Ligaram-me dizendo que você estava no hospital. O
acidente foi grave, um carro bateu na sua moto. Maldita moto! Mais um pouco e
você a trocaria por um carro, então, talvez isso não tivesse acontecido. Você
ficou em coma, por três meses, nunca retornou...”
Nesse
momento, as lágrimas rolam soltas me impedindo de terminar a carta. Assim
mesmo, inacabada, guardo junto às outras. Uma pilha de cartas em uma caixa,
cartas que Antônio nunca irá ler.

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